sábado, 13 de setembro de 2008

Fúria


Se tornou um hábito: sempre que bebo com o Ricardo Perrone, da Folha, brindamos com a frase "To all my friends". Um hábito frequente, diga-se. A citação é do filme Barfly, que o convenci de ver em um cinema que ficava na Brigadeiro Luis Antônio, quase na Paulista, ao lado do lendário Sandália de Prata. Roteiro baseado na obra de Bukowski, Mickey Rourke como protagonista e Faye Dunaway ainda com um belo par de pernas. Perfeito para aquele 1987. Saimos direto da sala - até porque Perrone quebrou a cadeira (era um extra-large na época) - e atravessamos a rua até o Annabelle para tomar uns chopes. Era irresistível ver o filme e encher a cara em seguida. Fiz isso algumas vezes. Isso diz respeito tanto pela atuação de Rourke como pela nossa sede insaciável - e a bebida sempre foi a razão de nossa amizade, sei disso.
Contudo, a embriaguês do personagem invadiu a carreira do ator, que se submeteu a filmes horroroso e situações vexaminosas (pô, o cara toma um pau do Van Damme no filme a Colônia! Esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=eC_YVUN_SvM mostra uma festinha do elenco - Rourke diz que o lutador é melhor que De Niro e, aos 2:40 minutos, é beijado na boca por Van Damme! Deus do céu!). Tentei preservar ao máximo sua atuação em Rumble Fish, meu filme favorito, na memória e dei por encerrada sua participação na minha vida. Até que o cara reaparece no Festival de Veneza. No início, seu rosto aparecia em sites e jornais como uma piada, como "o gostosão de 9 e 1/2 Semanas de Amor de ficou horroroso depois de fazer plásticas". Pouco depois, ele era a manchete da Ilustrada, na reportagem do Ivan Finotti. Ele atribuia seu "afastamento" de Hollywood à "fúria".
Algumas de suas lutas estão disponíveis no YouTube - nenhuma memorável. Mas sua história como pugilista é bem interessante. Treinou na mesma academia de Muhammad Ali, na mesma época, e fez sparring com Thomas Hearns e Roberto 'Mano de Piedra' Duran, alguns dos maiores pegadores do esporte (veja no site http://news.bbc.co.uk/sport1/hi/boxing/4589951.stm).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Questão de classe


Vi ontem (9), no site do Matias (www.oesquema.com.br/trabalhosujo), o... err... episódio Ed Motta, Frejat, Álvaro Pereira - calma, como se não bastasse tudo aconteceu no programa do Serginho Groisman. Fiquei tão perdido que pedi ajuda para o elefante cor-de-rosa que estava passando na redação. Aí, o Ricardo Alexandre (www.causapropria.com.br) tratou do assunto. Entendi, mas confesso que fiquei ainda mais triste por ter trabalhado com essa classe. Me senti um violador de cadáver. Bizz, descanse em paz e nos perdoe por tudo.

domingo, 7 de setembro de 2008

Um grande garoto




Hoje (7/9) começou a exposição do fotógrafo Thomas Hoepker na Galeria Papparazi, cuja principal atração são as fotos de Muhammad Ali feitas em 1966 - no painel na Av. Pedroso de Moraes (a "galeria" fica na rua mesmo ou eu sou um ignorante?) está escrito 1976, o que não condiz com a imagem do pugilista. Nem cabe aqui falar da importância de Ali na história ocidental do século 20. O que chama a atenção é a relação entre ele e o fotógrafo, registrada em imagens que mostram a intimidade do "Maior de Todos". Nas fotos, ele parece apenas mais um esportista, carismático, de fato, mas sem a pompa e a valentia que costumava exibir em entrevistas da época. Fico pensando como foi para o alemão Hoepker lidar com os muçulmanos radicais que cercaram Ali assim que ele conquistou o título dos pesados - e se alguns assessores de artistas e personalidades de hoje não são piores que esses racistas às avessas, se é que esse conceito existe.
Cronistas especializados à parte - que ainda produzem textos e análises excelentes sobre o boxe (leia uma The Ring quando tiver oportunidade), foi Ali quem elevou o esporte à condição de arte e entretenimento para as "pessoas comuns". A plasticidade e dramaticidade do pugilismo encontraram nele o canal perfeito. E chega a ser surpreendente como alguém que foi extremamente controverso em sua época, hoje seja reconhecido como uma das figuras mais queridas e extraordinárias ainda vivas. Instintivamente, ele construiu uma persona pop inigualável, quando o pop ainda usava franjinhas à Beatles. As imagens que você vê aqui foram reproduzidas pela Kátia Zanardo.

P.S.: Críticas ao boxe nunca vão faltar. O mal de Parkinson que Ali sofre seria (pode ser que seja) uma consequência da brutalidade enfrentada no ringue - e quem assistiu ao terceiro combate entre Ali e Frazier presenciou um nível extra de brutalidade. Mas o boxe (ainda) não perdeu um Ayrton Senna ou desfigurou um Niki Lauda.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Nossa linda juventude


Agora que estou mais para os 40 do que para os 30, já não faço parte do rebanho usado como bode expiatório da moralidade: a juventude. Enquanto ensaio o que dizer sobre a lei seca - e outras restrições - sugiro o texto do Josimar Melo. http://josimarmelo.blog.uol.com.br/. Vou tomar uma e já volto - a pé, xiitas.
Arrout! Desculpem pela demora e a falta de educação - ensino básico no EEPG Ludovina Credídio Peixoto deu nisso. Hoje, foi a vez de Dráuzio Varela falar e defender a Lei Seca. Ao menos afirmou (o termo ganha até uma conotação de confissão nesses tempos de patrulha) que gosta de tomar sua cachaça antes do almoço. Mas, segundo acredita, se ao menos uma vida for salva pela Lei, ela é justificada. Fico imaginando como ficariam os sadomasoquistas se a morte do vocalista do INXS gerasse uma Lei da Seca - punheta, só com cinto de segurança ou no táxi, sei lá. É como eu digo, o bêbado amador custa caro ao profissional. Além de batucarem nas mesas, vomitarem nos banheiros e perturbarem a desordem pública do bar (onde o anarquismo pode dar certo), agora acabaram com a possibilidade de tomar uma (ou umas, afinal eram dois chopes na conta do Detran) antes de dirigir. O que, é bom frisar, não é nenhum prazer. O que faltava não era responsabilidade, era fiscalização.
Por que não, para variar, fazer um conjunto de medidas junto com a Lei? Ok, é mais rígida, então que se crie opções. Fim da bandeira dois nos táxis, por exemplo (a clientela vai aumentar, portanto os taxistas não saem perdendo). Vans oficiais de madrugada (frentes de trabalho!) e metrô até pelo menos 1 da manhã. Incentivo para o desenvolvimento de cerveja decente sem álcool. Ou tudo não passa de um ato moralista contra a eterna inimiga da sociedade: a juventude. E nem adianta subir no ringue contra ela. Cada vez mais estendida, a categoria tem toda a pinta de virar os latinos dos Estados Unidos. A maior minoria do pedaço.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

É do Karalho



Quando o chapa Ricardo Alexandre (www.causapropria.blogspot.com) terminou o livro Dias de Luta disse, numa daquelas previsíveis tardes em que não sabíamos se a Bizz ia continuar a circular, que sua banda favorita dos anos 80 era a João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Desconfei que fosse um truque esperto, uma maneira de não se comprometer com a "década perdida" e suas bandas que copiavam o rock inglês - o que nem era demérito, ou você acha que um grupo de samba japonês vai criar do nada seu telecoteco? É recurso jornalístico apelar para o esculacho. Mas a verdade é que ele realmente conhecia as músicas e os causos do grupo. Isso me fez pensar em qual seria o meu "mico" da época. Gostei da Blitz (tinha 11 anos), do RPM (uns 13), dos Inocentes e da Patife Band (14), mas nenhum sob uma "perspectiva histórica".
Mais tarde, observando as fotos do Edu K na Austrália, em seu MySpace, me ocorreu que o DeFalla foi a banda mais interessante daquela década. Num tempo em que ainda se dava importância para guetos e tribos, a banda gaúcha utilizava zilhões de referências, do pós-punk ao hip hop, surpreendendo e até desagradando muitas pessoas. E esse é um ponto importante: se havia quem lutasse contra o sistema ou as gravadoras ou as rádios, o DeFalla atacava seu próprio fã, era contra o próprio público. Não lembro de outra banda que tivesse feito isso. Bem lembrou o Zé Flávio: no show de reunião em 2006, com Biba Meira na bateria e Flu no baixo, Edu K disse que finalmente estava vendo os fãs da banda felizes, afinal estavam ouvindo os clássicos. Diferente dos shows "normais" (com Edu no palco isso não acontece. Ponto), em que o repertório era totalmente estranho ao disco que estava nas lojas. O grupo sempre esteve dois passos à frente dos colegas conterrâneos - e um atrás dos gringos - em apontar as tendências. E tudo com um humor sádico e escroto que, não tenho como teorizar muito - é pura sensação -, remete aos Mutantes. E hoje, o Edu K (e seus remixes, batidões, turnês no exterior e parcerias) é o único artista do rock brasileiro dos anos 80 que continua relevante e está conectado com a nova ordem musical. Falamos sobre isso no podcast Qualquer Coisa, do Zé e do Terron, mas não sei se durante a gravação ou nos "bastidores" (uma sala zoada com uma tábua de passar roupa como mesa não pode ser outra coisa que "bastidor". Mal aí, Terron.).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ambição loira


"Ousada" e "polêmica" foram alguns dos adjetivos relacionados à performance de Madonna no Teatro Olympia, em Paris. A artista deu um beijo na boca de uma dançarina de seu show. Ahã. Sou mais a Leila Lopes fazendo pornô. Mais do que línguas se tocando (se elas se tocaram de fato), dá para ver a cantora agarrando, isso sim, o último toco de salvação. É uma corrida desesperada, contra o tempo (ela está à beira dos 50 anos), contra o declínio (Hard Candy é ruim), contra a irrelevância (megastars estão fora da nova ordem musical). O pior para ela foi sentar no trono pop há uns 15 anos atrás. Agora, coroada, resta-lhe mostrar o muque, dar cambalhotas, exibir a barriga chapada - não perder a majestade. "Eu ainda sou capaz", é o recado. Na verdade, ela ainda precisa que o mundo gire ao seu redor, a melhor reposição hormonal contra a depressão da meia-idade. E olhe que envelhecer é a única saída...
A parceira com Britney Spears fora esquisita, um gesto de humildade talvez, ou a sabedoria de que é preciso seguir as tendências. Agora, com Justin Timberlake (e Timbaland, e Pharrel...), Madonna está mais para a "alegria de viver" de uma Susana Viera. E se não fossem algumas questões "de pele", acredito que a Missy Elliott seria considerada mais relevante que Madonna. O fato da loira ter corrido somente agora atrás de Timbaland (que trabalha com Missy já faz um tempão), me faz imaginar se a rapper um dia vai aparecer todo moderna e faceira exibindo um olho roxo feito por Sean Penn. É ruim, hein?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Máximas de quem não dá a mínima

Sabe aquelas idéias brilhantes que você tem, depois esquece e se arrepende de não ter anotado? Pense no oposto. Inutilidades que você resolve disponibilizar para o mundo. Seja bem-vindo. Essa é a primeira compilação (sem essa de versão do diretor!) de 'Meu Pensamento Vivo', que estava alojado no meu MySpace. Se arrancar um 'haha', já estou no lucro.

- Pensar "glande" não faz, necessariamente, ninguém crescer.
- As maiores espinhas da adolescência são o medo e o tesão.
- O amor, sozinho, não coloca água no feijão.
- Deus é tarja preta.
- O balde na cabeça é a droga das crianças, mas a cola de sapateiro deixa tudo real demais.
- A fidelidade é a traição nossa, conosco, de cada dia.
- A tolerância não é renovável.
- O clichê é a hipérbole da verdade.
- A vida não possui saída de emergência.
- A felicidade é muito discreta pra se fazer notada.
- Só quem vive duas vezes possui coerência.
- O primeiro milhão está muito mais distante que o segundo.
- Tem caras que não valem nada, mas as garotas pagam um boquete pra eles.
- Quando nada dá certo, tudo pode dar errado.
- O ruim da morte é não poder fazer piada com o defunto.
- As feias que me desculpem, mas eu é que não vou ligar no dia seguinte.
- As drogas leves são porta de entrada para Jesus.
- É no casamento que a pornografia se revela.
- O sexo solitário pode ser uma ótima companhia.
- O bêbado amador custa muito ao profissional.
- Para algumas mulheres um jeans apertado é mais negócio que uma vaga de estacionamento idem.
- Seja viado, mas seja homem.
- Ser jovem é coisa do passado.
- Bar bom é bar ruim.